Heads Up: Mostra de Cinema no Cinematógrafo

Os cinéfilos podem estar interessados na cobertura da Mostra que a Bibi está fazendo no Cinematógrafo e no twitter. Ela está com uma credencial permanente integral, assistindo a dezenas de filmes e comentando para você poder assistir somente aos melhores.

Infelizmente, devido ao trabalho, eu vi apenas uns 3 filmes até agora, mas foi ela que escolheu, e foram todos bons.

Recomendação: Universo Umbigo

Para quem está em São Paulo, eu recomendo bastante o show do Karnak e Fractais que acontece pelas últimas 3 vezes este fim de semana: o Universo Umbigo. O show acontece no Teatro do Colégio Santa Cruz no Alto de Pinheiros nos dias 10, 11 e 12 de outubro.

Mais que um show de música, tem também apresentações de malabarismo, acrobacias e, como todo show do Karnak, bastante humor. Uma grande diversão. Eu, aliás, recomendo não sair imediatamente, assim que o show acaba. Espere pelo “bis”, que vale a noite.

Mais informações: Educando Blog, no Yahoo, no Balangandans.

P.S. Não achei nenhuma foto cuja licença permitisse a inclusão aqui em uma busca rápida, mas garanto que os visuais valem a pena. Vocês vão ter de se confirmar com um link.

O problema não é a guarda dos logs

Senador Eduardo Azeredo

O substitutivo do Senador Azeredo foi aprovado no Senado e vai ser votado na Câmara. Depois da Comissão de Constituição e Justiça e depois de ter sido remendado pelo Senador Mercadante, ele está bem melhor. Não é mais um projeto que poderia significar o fim para a Internet brasileira, mas ainda é um péssimo projeto de lei, ele deveria ser corrigido, mas na falta dessa possibilidade, derrubado ou vetado.

A cobertura da imprensa tem focado na reação dos provedores e no custo de manter logs por 3 anos, mas isso é obviamente desprezível para os grandes provedores que reclamam. Eu acho que esse argumento é inepto e não consigo entender porque a Abranet escolheria um argumento tão fraco contra a lei. Eles optaram brigar por um detalhe insignificante e dão a impressão de que os outros argumentos contra o projeto de lei são igualmente fracos. Mas não são.

Conexão? O projeto assume e nunca questiona a idéia de que os usuários se ligam à Internet através de “conexões”, que devem ser registradas e que os criminosos seriam identificados através desses endereços IP. O problema é que isso nem sempre é verdade. Mais e mais acessos são feitos à Internet sem “conexão” e cada vez mais frequentemente não possuem endereços IP únicos.

Toda comunicação feita pela Internet é feita entre endereços IP, então, de fato, tudo que se faz possui um endereço IP, mas endereços IP são um recurso limitado e em rápido esgotamento(inglês). Devido a essa limitação, e por diversos outros motivos, muitos acessos à Internet hoje em dia, especialmente os que acontecem de dentro de redes locais, através de redes Wi-fi, ou que fazem uso de proxies para economia de banda, compartilham endereços IP através do mecanismo de NAT. Isso significa que já não é mais possível saber quem foi o responsável por um acesso, já que não há registro, exceto se se mantivesse um registro de tudo que foi feito, ou seja, o fluxo de navegação.

Incompreensão. Os assessores do Senador dizem que não exigiram o registro de tudo que se faz na Internet, mas então eles precisariam ter analisado melhor o texto do projeto de lei. O que está escrito na lei precisa ser implementado, e essas implementações têm consequências. Quando se apontam essas consequências, o Senador e os assessores dizem que não foi o que eles disseram e que os críticos não leram o projeto de lei.

Esse comportamento tem sido uma constante em todas as iterações do projeto: sempre existiu uma diferença grande entre o que eles alegavam que estava na lei, e o que estava de fato escrito. O que vale, afinal, é o texto da lei, não as explicações. O fato de que o senador e seus assessores gostariam que o projeto de lei tivesse apenas consequências positivas não faz com que isso aconteça. Para isso é necessário uma redação correta e precisa e uma compreensão do assunto sobre o que se está legislando.

No caso da guarda dos logs, eles até estariam corretos, pedindo algo razoável, se se assumisse que são verdadeiras todas as seguintes condições:

  1. que existe um “responsável pelo provimento de acesso à Internet” para todo usuário;
  2. que esse responsável é um provedor com recursos como Telefonica, Oi, iG, Terra ou UOL;
  3. que todo acesso à Internet é feito com uma “conexão”;
  4. que toda “conexão” possui um IP único;
  5. que toda “conexão” gera um registro; e
  6. que o problema é que esses registros não são guardados

Mas essa não é a Internet que realmente existe.

Henrique Schützer Del Nero

Prof. Dr. Henrique Schültzer Del Nero (1959-2008)Faleceu ontem, 9 de maio de 2008, o Prof. Dr. Henrique Shützer Del Nero. Um post sobre isso está no blog do fantástico Kogler. Fiquei sabendo por causa de uma pequena nota no final de um post interessante sobre o infinito do Ricardo Bittencourt.

Henrique Del Nero, entre muitas outras coisas, foi o autor do livro “O Sítio da Mente”. Esse livro, esgotado em papel, mas disponível on-line, é um dos livros mais interessantes que eu já li sobre o cérebro, a mente, a consciência e neurociência. Anos depois eu vim a ler alguns livros do aclamado Oliver Sacks, como o famoso “O Homem que Confundiu Sua Mulher com o Chapéu”, e Tempo de Despertar e acabei decepcionado, graças à memória do impacto que “O Sítio da Mente” causou em mim quando li.

Parte das idéias são as mesmas, mas eu já tinha sido convertido. Eu já entendia um pouco sobre o quanto nós temos uma idéia completamente errada do nosso próprio cérebro, vendo de dentro, e o quão importantes e ao mesmo tempo quão triviais são tratamentos para pequenas disfunções. Isso despertou o meu interesse no assunto, que pode ser visto por exemplo neste post sobre Jill Bolte Taylor e seu derrame e neste sobre Sherwin Nuland e a terapia de eletro-choque.  Isso me ensinou a não ter medo de psiquiatras e a não ter preconceito com depressão e especialmente com pessoas passando por fases de depressão. Além disso, esse livro também me ensinou a prestar atenção nas pessoas, e me poupou de um bocado de problemas ao me permitir identificar alguns sociopatas.

Eu sempre tive a idéia de um dia asssistir a algumas das aulas que ele dava no LSI. Agora eu não vou mais ter essa chance.

Uma grande perda, sem dúvida.

O livro Microcosm

Capa do livro MicrocosmCarl Zimmer é talvez o meu blogueiro/escritor sobre ciência favorito hoje em dia. Eu já citei o blog dele em um post anterior sobre evolução biológica e lingüística. Ele acaba de lançar seu mais novo livro: Microcosm. Eu ainda não li, mas mal posso esperar. Um livro inteiro dedicado à bacteria que deu origem à palavra “coliforme“.

Em parte para promover o livro, Zimmer recebeu perguntas sobre a bactéria e escolheu 5 para responder em posts individuais. As perguntas, resumidamente foram:

Por que E. Coli é o organismo central, o mais estudado da microbiologia?

Porque se desenvolve rápido, é segura, suporta oxigênio, transfere DNA de forma sexuada (o que torna fácil extrair esse DNA para estudo), e porque é o organismo mais estudado da microbiologia, ou seja, efeitos de rede.

Porque algumas E. Coli são boas e outras são ruins?

Todos nos carregamos E. Coli nos intestinos, desde quando somos bebês. Algumas são perigosas, como a linhagem E. coli O157:H7, que causou diversas mortes nos EUA recentemente ou a Shigella, que é na verdade um tipo de E. Coli. Mas outras até mesmo protegem nosso organismo contra infecções.

Desde quando as E. Coli são sexy?

E. Coli trocam material genético através de diversas formas (uma delas é o uso dos chamados pilli F, onde “F” viria do inglês “Fertility”). Essa troca de material genético é estudada porque ela dá indicações sobre a resposta à pergunta: porque existe o sexo.

O que E. Coli pode dizer sobre Criacionismo?

E. Coli é uma bactéria favorita de criacionistas (junto com a segunda lei da termodinâmica), porque seria evidência da impossibilidade da evolução já que o flagelo é tão complexo que só pode ter sido projetado e não poderia ter evoluído uma vez que a evolução exige a existência de passos anteriores em que determinada estrutura não está completa e mesmo assim é útil. Acontece que existem estudos exatamente sobre como essa evolução poderia ter acontecido, e evidências de que existem sim organismos com partes de flagelos que ainda assim tem função como é o caso da bactéria Buchnera, o que desmonta o argumento de que somente um projeto pronto poderia levar a flagelos. Veja um post sobre a discussão e aqui, um argumento (falacioso) em favor da chamada complexidade irredutível.

Qual o seu truque favorito com E. Coli?

Como o microorganismo mais hackeado da biologia, existe muito que foi feito com as E. Coli: produção de insulina, produção de combustível para jatos, e muito mais. Mas Carl Zimmer escolheu como hack favorito: a camera E. coli. Um método para gravar imagens através do uso do metabolismo de bactérias modificadas para ter sensibilidade à luz. A imagem abaixo mostra um auto-retrato, imagem ampliada de E. Coli feito com uma lâmina de E. Coli.

Auto-retrato: Estudante de biologia Jeff Tabor segurando uma lâmina com uma foto de uma E. Colli ampliada, feita com E. Colli.

FISL 9.0

Logo Fisl 9.0

Essa foi minha primeira participação no FISL depois de anos planejando mas nunca conseguindo. E o resultado é que eu fiquei bastante satisfeito, principalmente com a parte social e de comunidade do fórum.

Para as palestras ténicas, elas são principalmente para iniciantes, então o ideal é aproveitar para tomar contato com diversas áreas e aplicativos diferentes. De qualquer forma, conforme-se com o fato de que você está provavelmente perdendo muito mais coisas do que você está assistindo.

A concentração de boas palestras nas horas de almoço são talvez o maior problema para a saúde dos participantes, mesmo com o restaurante do quarto andar tão próximo e tão bom. De forma geral eu acabei vendo apenas pedaços de diversas palestras, porque no mesmo horário eu tinha 3 ou 4 boas para ver, e eu queria ter um “gostinho” de cada uma.

Diversas comunidades se organizam graças ao FISL. Um exemplo é o pessoal da Associação Python Brasil, que foi criada como um efeito direto de se juntar diversas pessoas que só se conheciam por e-mail, alguns FISLs atrás. Este ano eles tiveram uma trilha própria. Randal Schwartz, do Smalltalk (e ídolo do perl), prometeu uma trilha própria também para o Smalltalk na próxima edição.

Também é interessante para reforçar e divulgar as idéias que existem por trás do software livre. A palestra do Maddog tem exatamente esse efeito. Cada vez mais, além disso, a questão da liberdade, na Internet, e os riscos para a cultura aberta da Internet, que é a mesma que originou a própria Internet, blogs, software livre e a wikipedia.

As que eu vi foram:

  • Kernel Network Layer
  • Uma nova lei autoral para o Brasil
  • Futuros Digitais (talvez a melhor não técnica)
  • Real-time Linux e Real-time Java
  • Apache Harmony
  • Kernel Open Session (Ted Tso)
  • Fantasma do Espectro
  • IPv6
  • A Internet sob ataque
  • Nokia – Iniciativas e Projetos Open Source para Smartphones
  • Ext4 (Ted Tso)
  • Grok
  • Fun and Software Livre (a do Maddog)

Eu planejo falar um pouco mais sobre assuntos específicos do FISL, aproveitendo minhas anotações antes que eu esqueça. Mas já dá para dizer que eu pretendo estar na décima edição em 2009. Junto com os planejados 10 mil participantes, para ver o uplink com a estação espacial, a nova trilha de smalltalk, a prometida participação ampliada da Nokia e Globo.com e quem mais aparecer.

Hacks surpreendentes de Johnny Lee

Johnny LeeNo TED deste ano, Johnny Lee demonstrou porque é tão admirado por seus fãs no youtube. Nesta apresentação (em inglês), ele demonstra o que é possível de fazer com o controle de R$140 do Nintendo Wii (no mercadolivre, sem jabá). Como esses controles tem uma câmera infra-vermelho, com resolução de 1024×768, são capazes de acompanhar pontos e tem suporte a bluetooth, é possível utilizar essas câmeras para outras aplicações.

A primeira aplicação que ele demonstrou foi uma interface utilizando os dedos, no estilo do filme Minority Report. Você coloca o wii remote em cima do monitor, voltado para você, junto com uma fonte de luz infra-vemelha, que ele dá dicas de como construir. O software identifica a posição das pontas dos seus dedos com um pouco de fita reflexiva e com isso você pode utilizar os dedos para controlar o computador, com um programa para Windows XP que pode ser baixado do site dele. Infelizmente, segundo ele isso é um projeto interessante, mas não é prático, porque manter as mãos no ar é muito cansativo. Aqui está o video original no youtube.

A segunda aplicação é um whiteboard. Nela, o wiimote é apontado para a superfície do monitor ou para uma superfície sobre a qual esteja sendo projetada a tela. Faz-se daí um apontador infra-vermelho, com um LED infra-vermelho, um botão interruptor e uma bateria. Ao pressionar-se o botão o LED acende e pode ser detectado pelo Wii Remote. Com o software que pode ser baixado do site ele pode substituir um mouse, permitindo trabalhar na superfície como se ela fosse sensível. Veja as instruções no youtube.

A terceira aplicação é um mecanismo para headtracking. Usando esse mecanismo um software especializado pode dar uma impressão de tridimensionalidade, alterando a imagem vista quando você mexe a sua cabeça. A demonstração é impressionante, e disponível também no youtube.

Essas apresentações foram colocadas no youtube há alguns meses e já tiveram milhões de visitas. E abaixo tem a apresentação no TED. Impressionante.

O sucesso do Orkut no Brasil foi presente do Linux

Foto do John Perry Barlow no Orkut

Muita gente ainda discute o sucesso do Orkut no Brasil, e um certo toque mítico surgiu para explicar a dominância brasileira e o gosto brasileiro pela rede social. O Juliano Spyer cita uma entrevista de John Perry Barlow na qual ele relata como no começo do orkut enviou convites para brasileiros como uma experiência e o resultado seria um crescimento fantástico do Orkut no Brasil.

É muito interessante, e eu nem conhecia esse lado da história, e isso talvez seja um indicativo de que isso superestima o papel que o John Perry Barlow teve no crescimento do Orkut. Eu sou um usuário antigo do Orkut. Tão antigo que quando eu entrei eu não conhecia nenhum brasileiro que estivesse na rede social. O Orkut quando iniciou era um fenômeno dentro do Vale do Silício, e as pessoas queriam fazer parte de certa forma para poder se associar aos grandes participantes que faziam tanta coisa, como as linguagens de programação Perl e Python, o Google, o Yahoo, o Linux.

Orkut no começo

Eu fui convidado por um amigo que trabalhava nessa região, ex-CTO de uma empresa do Vale do Silício. Eu imediatamente convidei diversos amigos e colegas de diversos grupos que eu conhecia, mas poucos acabaram entrando  após o meu convite. Esses poucos que aceitaram convidaram outras pessoas das quais provavelmente poucas aceitaram, mas algumas acabaram recebendo convites de mais de uma pessoa, e com isso vários dos que eu tinha convidado inicialmente mas tinha recusado acabou cedendo e entrando. Essas pessoas convidavam outras, que eu também conhecia, e essas por sua vez me adicionavam. Dessa forma eu via a propagação do Orkut, diferentes círculos de amigos que iam aparecendo no Orkut. A imagem que eu tinha na época era de uma forma de gelo que ia se enchendo. Cada vez que um compartimento se enchia, a água passava para outro e lentamente ia enchendo outros e outros.

Os dois mecanismos

Ou seja, eu presenciei dois mecanismos que fizeram o Orkut crescer. O primeiro foi uma certa atração pela exclusividade, que funcionou com os primeiros brasileiros a entrar no Orkut, ligados a acontecimentos e a pessoas do Vale do Silício. O segundo foi simplesmente uma certa pressão pelos pares, ou talvez o instinto gregário dos brasileiros em geral que levou as pessoas a entrar porque os amigos estavam dentro do Orkut.

ACME

Eu duvido que a distribuição de senhas feita pelo John Perry Barlow tenha catalisado a propagação do Orkut. Acho que o caminho principal foi outro: a comunidade Linux, centralizada na Conectiva e, especialmente, no ACME, Arnaldo de Carvalho Melo. Ali tinha uma comunidade de geeks, na qual um núcleo entrou devido ao primeiro mecanismo e o uso  depois se propagou graças ao segundo mecanismo. A Conectiva tinha crescido bastante e por isso tinha membros espalhados pelo país, conhecidos uns dos outros, todos ligados à Internet e de certa forma interligando diversas universidades e grupos de amigos e profissionais de diferentes cidades no Brasil inteiro.

Era um grupo coeso, o que é importante para conseguir o segundo mecanismo de propagação. Pessoas isoladas dificilmente conseguiriam um crescimento inicial tão rápido, especialmente quando é necessário atrair pessoas para quem Larry Wall, Guido Van Rossum, John Perry Barlow e Alan Cox não significam nada. Um grupo distribuído de pessoas que deseja manter contato umas com as outras e com seus ídolos é um núcleo ideal para esse crescimento tão acelerado.

Por que, afinal?

Mas mesmo se a Conectiva não tivesse existido, o Brasil ainda teria sido tomado pelo Orkut, embora levando mais tempo. O motivo é que John Perry Barlow está certo em dizer que era como uma solução super-saturada, esperando uma semente, ou uma leve agitação, para cristalizar. Uma hora ou outra as conexões entre as pessoas iam acabar levando ao surgimento de uma nova rede social importante no Brasil. Talvez tivesse sido a partir de pessoas que eu convidei (no final, boa parte da USP e diversos membros de empresas de tecnologia de São Paulo), talvez a partir de outros grupos de pessoas, mas a verdade é que o fato de que o Orkut dominou o Brasil foi causado simplesmente pelo fato de que não havia concorrentes na época.

A rede que predominava nos EUA era o Friendster, com o Myspace no meio do seu crescimento acelerado, mas nenhum deles tinha entrado no Brasil. Uma outra rede grande, o Fotolog, que não deixa de ter um caráter de rede social, apesar de ter um apelo mais limitado, restringia o número de inscrições do Brasil, o que pode ter limitado o crescimento.

Não havia quase nenhum brasileiro no Friendster porque os brasileiros são pouco conectados com o exterior. Da mesma forma havia poucos brasileiros na primeira grande rede social, o Six Degrees, cerca de 10 anos atrás. O fato de que havia  brasileiros nessa rede não foi suficiente para que ela decolasse no Brasil porque na época ainda não havia um número suficiente de brasileiros conectados para que houvesse massa crítica. O Orkut surgiu na hora certa e foi isso que aconteceu no Brasil (e na Índia, embora não se mencione isso). Em países diferentes outras redes sociais dominam, como o Livejournal na Rússia.

Então, as explicações são simples. Uma rede social ia acabar pegando no Brasil. Não precisava ter sido o Orkut. Podia muito bem ser o Facebook se as coisas acontecessem alguns anos depois, ou o Friendster, se fosse um ano antes. Mas muitas coisas se juntaram ao mesmo tempo, e o crescimento tão acelerado, para mim, foi devido à Conectiva e à comunidade Linux no Brasil.

Economia interestelar

Parece que os economistas resolveram abrir seus horizontes de pesquisa radicalmente. Primeiro surge um artigo escrito por John Hickman chamado Problemas do comércio interplanetário e interestelar (em inglês), no qual se analisam as dificuldades que poderiam surgir em relações de comércio com outras civilizações.

Na mesma semana em que surge o artigo acima, alguém desencava o artigo “A Teoria do Comércio Interestelar” (em inglês), escrito na década de 70 por Paul Krugman, chamado. O artigo, obviamente feito com objetivos humorísticos, estuda o efeito de viagens relativísticas, entre outras coisas, nas taxas de juros e no cálculo do custo de capital. Se você gosta de economia, é um artigo interessante e recheado de citações e piadas.
via  Paul Krugman e Marginal Revolution

Jill Bolte Taylor: derrame e a felicidade

Jill Bolte Taylor é uma neuroanatomista, estudando o funcionamento do cérebro que teve a oportunidade de estudar um derrame em primeira pessoa.Em um relato comovente, ela conta sobre o funcionamento dos hemisférios do cérebro e a experiência da manhã em que um vaso rompeu dentro do seu cérebro e alterou sua vida e visão do mundo.

E eu senti essa sensação de paz, imagine como seria perder 37 anos de bagagem emocional. Eu sentia euforia, era lindo. E novamente meu hemisfério esquerdo voltou e avisou “você precisa prestar atenção, nós precisamos conseguir ajuda”. E eu pensei “eu preciso de ajuda. Eu preciso de foco”. Eu saí do banho e me vesti mecanicamente e eu pensei “eu preciso ir para o trabalho. Eu consigo dirigir?” E nesse momento meu braço direito ficou completamente paralizado do meu lado. E eu percebi: oh, meu Deus, eu estou tendo um derrame. E a próxima coisa que meu cérebro me disse foi: uau! Isso é tão legal! Quantos cientistas do cérebro tem a oportunidade de estudar o próprio cérebro de dentro para fora? E então passou pela minha mente: “Mas eu sou uma mulher ocupada! Eu não tenho tempo para um derrame!” 

Veja também: Sherwin Nuland conta sua experiência pessoal com eletrochoque

Conflitos pelo Ártico

Disputas pelo Oceano Ártico

Com o aquecimento global, grandes mudanças esperam a região do Ártico. Populações de ursos polares estão se reduzindo e a Groenlândia está produzindo alimentos, mas economicamente, o maior impacto talvez seja que o Oceano Ártico esteja livre de gelo em 5 a 10 anos.

Agora diversos países lutam por um pedaço dessa nova área, principalmente a Rússia. Em jogo, estariam recursos minerais, como petróleo, dos quais alguns calculam que o Ártico conteria um quarto de todas as reservas ainda não descobertas, e a abertura de duas novas rotas de transporte intercontinentais, que poderiam reduzir custos e duração de viagens de transporte de carga em milhões e dias, respectivamente.

Com o aumento do preço do petróleo, passou a ser economicamente viável explorar petróleo mesmo em regiões que antigamente eram complicadas, e sem a cobertura de gelo, isso se torna ainda mais fácil. Essas mudanças tornaram a área uma região quente em discussões e expedições, com a Rússia até mesmo organizando uma expedição para colocar sua bandeira, no fundo do mar perto do Pólo Norte.

Tempos interessante à frente.

Mais:

via Marginal Revolution

Piratas, não! Pior!

Hoje é talk like a physicist day. O dia em que as pessoas falam como físicos, porque piratas, afinal de contas são normais demais.As sugestões são para simplesmente usar expressões como “ordem de magnitude”,  “colapsar a onda”, “estimar a barra de erros”, descrever um engarrafamento como uma “onda de compressão”:

Eu me sinto muito envergonhado, aliás, em dizer que eu já pensei no problema da parada súbita nos salvamentos do super-homem, como descrito neste clipe:

via Cosmic Variance

Uma aventura em bash

Em uma lista de discussão da qual eu participo, cujo nome não deve ser mencionado nunca, as pessoas começaram a discutir bobagens feitas em servidores Unix, e eu pude contar uma história que aconteceu comigo em 1998. Se você é um administrador Unix ou, em especial Linux, você provavelmente vai achar interessante. Caso contrário, você vai achar ainda mais chato que os posts habituais.

Eu estava conectado em um servidor Linux remoto, resolvendo um problema grave e urgente nos servidores SMTP de um cliente, um grande grupo editorial e de mídia cujo nome todos conhecem. Isso era resultado de um trabalho de consultoria.

Eu editei um script para mover alguns arquivos de diretório, e esse script moveu o diretório /bin para algum lugar desconhecido.

O que aconteceu foi mais ou menos o seguinte:

# [cria]
# [roda]
... script demora demais
^C
# ls
ls: command not found
# cd /bin
/bin: no such file or directory
# mkdir /bin
mkdir: command not found

… desespero, diversas tentativas de recuperar o diretório /bin, medo, etc…

Daí eu me toquei: eu estou em uma máquina Linux, com exatamente a mesma distribuição e versão. A máquina remota aceita login como root. Tudo que eu preciso fazer é copiar o meu diretório /bin para a máquina remota usando o scp. Então eu tento:

local$ scp -pr /bin root@remote:/bin
Password:
/bin/bash: command not found

Lógico, duh! Então eu fiquei esperto:

# which perl
/usr/bin/perl
# perl -e 'mkdir "/bin"'
#

Isso! Agora eu só precisava novamente do bash, que eu sabia que ainda existia na máquina, porque, afinal de contas, eu estava com uma instância aberta. Então eu fiz o seguinte:

# perl > /bin/cat

while(<>) {
print
}
^D
#!/usr/bin/perl
while(<>) {
print
}
^D
# perl -e 'chmod "/bin/cat", 0777'
# cat /proc/self/exe > /bin/bash
# perl -e 'chmod "/bin/bash", 0777'

E então eu tinha um bash funcionando! Então eu rodei o scp novamente e funcionou direitinho. Claro que cada passo me tomou bastante tempo, porque eu tive de testar cada comando e cada tecla, porque se eu perdesse esse shell, eu não teria nenhuma saída. Eu não falei das outras tentativas, como enviar via ftp, rsync, encontrar o diretório para onde eu tinha movido o /bin, rodar vi, find, etc, etc, etc. No total, devem ter sido uns 30 minutos, ou talvez mais, ou menos, não sei. O tempo estava andando de forma estranha naquela tarde. Nas festas certas é uma história popular. A sensação no final foi esta.