Os plágios e Plágios

Malcolm Gladwell

É interessante nas discussões na lista blogosfera o quanto se volta ao assunto plágio. Não tem discussão que não caia nisso, e nenhuma em que não haja uma disputa para ver quem odeia mais os plagiadores. Mas com o medo de parecer mole e assim trair seu colegas, diversas coisas diferentes ficam sendo misturadas, e o risco é que atividades legais e produtivas sejam marginalizadas junto com atividades que são imorais e ilegais.

Boa parte das pessoas desconfia do argumento do Creative Commons de que quem escreve se baseia em um histórico e conhecimento pré-existente, e é muito propício que Jon Udell tenha escrito um artigo falando sobre o assunto, no qual ele procura a origem de uma citação feita em um blog, e descobre que é muito mais fácil encontrar a origem de uma citação hoje em dia. No meio, ele cita um excelente artigo de Malcolm Gladwell (em inglês) sobre a experiência de ter um artigo utilizado em uma peça de sucesso, e como isso o fez alterar a forma de pensar sobre o plágio em si:

Palavras pertencem à pessoa que as escreveu. Há poucas noções éticas mais simples que esta, particularmente enquanto a sociedade dedica mais e mais energia e recursos para a criação de propriedade intelectual. Nos últimos 30 anos, leis de copyright foram reforçadas. Tribunais ficaram mais propensos a conceder proteção a propriedade intelectual. Lutar contra a pirataria virou uma obsessão de Hollywood e da indústria fonográfica, e, nos mundos da academia e editorial, o plágio passou de ser más maneiras literárias para algo mais próximo de um crime.

[…]

Eu tinha trabalhado em “Damaged” ao longo do outono de 1996. Eu visitava Dorothy Lewis em seu escritório no Hospital Bellevue e assistia às fitas de suas entrevistas com assassinos em série.

[…]

Eu enviei um fax a Bryony Lavery:
Eu fico contente em se a fonte de inspiraçnao para outros escritores, e se você tivesse pedido a minha permissão para citar, mesmo liberalmente, a minha peça, eu teria prazer em autorizar. Mas tomar material, sem a minha aprovação, é roubo.

[…]
Então eu consegui uma cópia do roteiro de “Frozen”. Ele tirou o meu fôlego. Eu sei que isso não devia ser uma consideração relevante. Mas era: ao invés de sentir que minhas palavras tinham sido tiradas de mim, eu senti que elas tinha se tornado parte de uma causa maior.

Ele conta, então, diversos casos de plágio e acusação de plágio, em livros, jornais e música, como um em que os Beastie Boys foram acusados de copiar 4 notas sampleadas, pelas quais, aliás, eles tinham pago, ou outro, em que o autor do Fantasma da Ópera, Andrew Lloyd Webber foi acusado de plágio por causa de uma sequência, que ele mesmo já tinha usado em outra composição, anos antes do acusador, ou sobre o caso de Rod Stewart, cuja música “Do Ya Think I’m Sexy” tem um refrão idêntico ao de Taj Mahal do Jorge Benjor, que foi lançado antes.

Claro que também é bom citar um caso contrário, de um brasileiro acusado de plagiar um americano, como o caso que Tinhorão usa como evidência de que a Bossa Nova não tinha nada de original: O Samba de Uma Nota Só, cantado por Sarah Brightman, sob o nome de Mister Monotony e composto por Irving Bell, em 1947, ou uns 10 anos antes de Tom Jobim.

O artigo de Malcolm Gladwell vale a pena ler, no mínimo para permitir uma reflexão sobre o quanto a criatividade exige de uso de conteúdo criado por outros, e finalmente sobre o quanto nós gostaríamos de sacrificar de liberdade criativa para endurecer leis e comportamentos, simplesmente porque estamos todos indignados com os splogs.

Splogs não participam dessa alimentação criativa e é difícil de entender porque alguns acham que adotar normas super restritivas de licenciamento de conteúdo vão conter splogs, que simplesmente não se importam com qual a licença que o autor adotou para o conteúdo. Existem bons argumentos e boas idéias por trás do movimento do Creative Commons, e essas idéias eu gostaria que todos os blogueiros entendessem.

Bibi’s Box é finalista nos Bloggies

O Bibi’s Box é novamente finalista na categoria Melhor Blog Latino Americano nos Bloggies, um entre muitos prêmios que existem para blogs na Internet, mas um dos mais importantes. Por favor, entrem em http://2008.bloggies.com/ e deixem seu voto lá até o dia 31 de janeiro.

Diversas coisas fazem do Bloggies um dos prêmios mais importantes: primeiro, ele não tem prêmio, além do prestígio, e não se paga para ser candidato; segundo, ele é tradicional – esta é a oitava edição; terceiro, ele é baseado tanto em jurados quanto em uma votação, o que garante que não é só a popularidade que conta para determinar um finalista; quarto, ele não é patrocinado por nenhum grande grupo de mídia. Ele vem da comunidade como um todo.

O motivo para eu pedir voto para o Bibi’s box é que é muito raro um blog brasileiro ser reconhecido internacionalmente em prêmios. Na maior parte das vezes, brasileiros tendem a dar força e voto para blogs em português, mas ignoram blogs em inglês, como o Bibi’s Box. Acontece que em concursos como o Bloggies, um blog em português tem poucas chances, porque os eleitores vêm do mundo todo, e é difícil para pessoas de países tão diversos como Japão, Rússia, Indonésia, França, ou Estados Unidos julgar um blog em uma língua distante. Apesar disso, como os brasileiros tendem a ignorar blogs não escritos em português, o Bibi’s Box perdeu, nas duas vezes anteriores em que foi indicado, para blogs escritos em espanhol.

Alguns votos que eu recomendo:

  • Melhor aplicação Web: Youtube
  • Melhor blog Latino Americano: Bibi’s Box
  • Melhor blog Americano: Lifehacker
  • Melhor blog de política: The Daily Kos
  • Melhor blog de computadores ou tecnologia: Wired
  • Melhor blog de comunidade: Slashdot

Por favor, reservem alguns minutos, entrem na página do Bloggies e deixem o seu voto. Depois aproveitem para fazer um post nos seus blogs e peçam para seus amigos votarem também.

Juca Kfouri, censura prévia e SLAPPs

Juca Kfouri, foto do blogIdelber Avelar chama para a luta contra uma decisão judicial que mostra o quão longo é o caminho até que o nosso sistema legal possa entender e pesar até mesmo os princípios democráticos mais básicos.

Juca Kfouri criticou várias vezes o deputado estadual Fernando Capez (PSDB-SP). Segundo Juca, Capez não teve sucesso em conter as brigas de torcida, mas se elegeu graças a notoriedade obtida com essa campanha. Ao apresentar suas opiniões, ao relatar fatos, Juca Kfouri estava fazendo seu trabalho, nada mais, nada menos. Mesmo assim, uma decisão judicial proferida pela juíza Tonia Yuka Kôroko proibiu-o de “ofender” o deputado, sob pena de multa de R$ 50.000 após ação movida pelo deputado, que já foi promotor. Segundo Juca,

Recorri ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas o desembagador Luiz Antônio de Godoy negou meu pedido para que a liminar fosse cassada.

Argumentou que sou experiente o suficiente para não ofender o deputado.

Existem motivos para haver uma proibição constitucional da censura prévia pelo estado. E o motivo é impedir que aconteça exatamente o que se tentou nesse incidente: que críticas contra os poderosos sejam amordaçadas. Quem é poderoso: um deputado, um presidente, um juiz, um policial, um ministro, deve ter menos proteção contra críticas que um cidadão comum. O deputado se ofendeu, mas às vezes as pessoas se ofendem com a verdade, e é do interesse da sociedade ouvir críticas a figuras públicas, mesmo contra os interesses de quem se acha ofendido. Faz parte da democracia conviver com o contraditório e com a crítica.

Juca Kfouri não tem a obrigação de se adequar aos princípios de civilidade que o impediriam de criticar. Se nossas leis contra a calúnia, a injúria e a difamação estão aí para impedir o exercício da liberdade de expressão, precisamos fazer uma grande reforma dessas leis. Mas eu nem creio que tenha sido esse o caso.

Nos EUA existe um nome para esse tipo de ação iniciada pelo Deputado: SLAPP (Strategic Lawsauit Against Public Participation – Ação Estratégica Contra Participação Pública). São ações feitas para silenciar críticos e existem leis contra isso em diversos estados.

É lamentável que o judiciário brasileiro tenha se permitido usar novamente e novamente para uma SLAPP. Assim, ao invés de trazer justiça, o judiciário não faz mais que atuar como ferramenta para manutenção do poder.

Projeto de lei dos senadores Azeredo e Calheiros novamente

Balança da justiçaO projeto de lei do senado 76/2000 foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Esse é o mesmo projeto que gerou indignação geral por exigir o registro dos usuários da Internet. Esse item foi na maior parte removido, mas o projeto continua muito ruim.

O exemplo mais gritante é que no artigo 5 ele criminaliza a distribuição de virus mesmo sem a intenção, impondo penas de 3 a 5 anos de prisão. Se seu computador for infectado e começar a mandar e-mails, você pode ir para a cadeia, ou no mínimo passar a ter antecedentes criminais. O projeto é cheio de surpresas desagradáveis.

Ainda preciso terminar de ler o projeto de lei, mas enquanto isso, aqui está a íntegra do substitutivo aprovado, que agora vai passar pela última comissão do Senado:

Projeto de lei do Senado 76/2000 aprovado pela CCT

Obrigado ao Omar Kaminski pelo texto.

Google abandona a Correia Fotorreceptora

O google melhorou a base de dados do Google Translate, e agora “web” é traduzido como “Web” ao invés do tradicional “correia fotorreceptora“. Uma grande perda para o marketing deste blog.

Nem tudo está perdido do ponto de vista humorístico e poético, porém: ele traduz “spider web” como “Spider Web” (é só colocar a primeira letra de cada palavra como maiúscula? Ele acha que português é alemão?) e “the spider is weaving its web” (“a aranha está tecendo sua teia”) como “Da aranha é a tecelagem da web”.

E nós sempre podemos contar com o Altavista Babel Fish, o Yahoo Babel Fish e o Tradutor da Microsoft, que mantêm a tradução correta. O da Microsoft na verdade está apenas meio correto. Ele dá a opção de indicar se o conteúdo é relacionado a computadores ou não através de um checkbox. Selecionando, ele traduz “web” como “Web”. Sem selecionar, porém, ele traduz “web” como (você adivinhou!) “correia fotorreceptora”. “the spider is weaving its web” se torna “a aranha está tecendo sua correia fotorreceptora” se o conteúdo não é relacionado a computadores e “o rastreador é weaving sua Web” se é.

A Microsoft confia tanto no tradutor que o utiliza para fazer o próprio site. No final da página do tradutor existe um link que diz “Adicionar página de Web do Translator ao seu site“. Somente um programa automático com essa qualidade escreveria “página de Web” ao invés de “página web”.

A chance de ouvir Yochai Benkler

Yochai Benkler vai participar via video-conferência do ciclo de debates que o Instituto de Estudos Avançados da USP promove sobre o livro “A Riqueza das Redes” no dia 6/12/2007 às 14:30 no Auditório Alberto Carvalho da Silva do Instituto de Estudos Avançados.

O livro é uma análise sobre a produção de cultura e informação, o papel dos blogs, youtube, e a Internet em geral, explica economicamente as consequências do surgimento desses novos meios para a economia, cultura e política, e expõe os interesses e os preconceitos envolvidos. O livro é leitura obrigatória para todos os interessados em jornalismo, economia, análise de investimentos, cultura, tecnologia, negócios, blogs, política, programação, web design e Internet.

via Não Zero

Brinquedos de plástico em viagem científica

Em 1992 um navio em viagem entre Hong Kong e os EUA passou por uma tempestade e alguns contêiners caíram no mar. Um desses contêiners se abriu e parte da carga, formada por uma variedade de brinquedos de plástico para banheira passou a flutuar pelo Oceano Pacífico.

O incidente foi visto como uma oportunidade por Curtis Ebbesmeyer, um oceanógrafo que estuda correntes marinhas e que já tinha feito estudos, acompanhando bóias lançadas ao mar com sinalizadores e garrafas com mensagens.
Curtis Ebbesmeyer e seus brinquedos

Ebbesmeyer utiliza um método barato e eficiente para obter dados: um grupo voluntário de pessoas que coletam objetos em praias e as enviam para ele, que analisa e publica em uma newsletter com informações sobre o que foi encontrado, novos itens que caíram no mar e as conclusões sobre as correntes marinhas obtidas através da ajuda dessas pessoas.

Dean OrbinsonUma dessas pessoas foi Dean Orbison (à direita com brinquedos originais e desbotados), que durante anos coletou mais de 100 brinquedos em Sitka, Alasca, anotando o local e a data em que foram encontrados. Com isso, foi possível verificar que havia picos a cada cerca de 3 anos, que corresponde ao período que leva para as correntes completarem uma órbita ao redor do Giro Subtropical do Pacífico. Essas informações são praticamente metade de toda informação já obtida por pesquisadores sobre as correntes do Pacífico.

Correntes do Pacífico - Friendly Floatees

Após circular pelo Giro Subtropical, os brinquedos se dividiram, alguns indo para o Sul, aparecendo em diversos lugares, incluindo a Austrália, enquanto outros passaram a circular pelo Giro Subpolar, onde se esperava que ficassem presos. Alguns desses brinquedos, porém, atravessaram o Estreito de Behring, chegando ao Ártigo onde ficaram presos no gelo e acabaram sendo transportados ao Atlântico, chegando ao Canadá, Islândia e, este ano, Grã Bretanha.

Bug Duck Marga HoutmanEm 2003, ao conhecer a história dos brinquedos, a artista visual holandesa Marga Houtman criou um grande pato, à espera dos seus filhotes, e ao saber da chegada de alguns brinquedos à Inglaterra, pretende fazer um documentário sobre o encontro.

via Seed Magazine

Não existe bolha do Adsense

Tecnocracia

O Manoel Netto do Tecnocracia escreveu um post defendendo a tese de que
A “Bolha AdSense” vai estourar. Eu discordo, e acho que o artigo do Manoel confundiu a parte contra o todo e fiquei com vontade de discordar.

Primeiro, minhas credenciais: sou um grande anunciante no Adwords e um grande editor do Adsense. Sobre o Adsense, se um dia eu acordasse de saco cheio, poderia deixar de lado a área de hospedagem, demitir todo mundo e viver somente dos anúncios no Inforum, e tanto eu quanto meu sócio poderíamos ter uma vida bastante confortável. Não vamos fazer isso, claro, mas ganharíamos o suficiente. Ao invés disso, gastamos uma quantia significativa, ainda maior, em anúncios do Adwords (além de outros meios) com o objetivo de transformar a Insite em uma das maiores empresas de hospedagem do Brasil

E é tendo essa experiência nas duas pontas, que eu posso dizer que não existe “Bolha Adsense” para estourar. Pode existir uma bolha de sites chamados “caça-paraquedistas do momento”, ou seja, sites interessados em atrair público escrevendo artigos sobre assuntos da moda ou do momento, mas eu acho que não existe, e acho que eles não são tão significativos, de qualquer forma. O grosso das buscas, e o grosso da receita, não acontece em artigos que falam sobre assuntos da moda, mas em artigos antigos.

Se essa “bolha” vai estourar, não vai ser porque alguém vai fazer algo para impedir, mas sim porque a competição por esses termos vai ser tão grande, que a maior parte das pessoas que adotam essa estratégia vai ganhar pouco e vai desistir.

O Adsense funciona porque ele junta milhares de anunciantes e milhares de editores diferentes, com interesses diferentes, e é preciso levar em conta os diversos tipos e objetivos de anúncios, e os diversos tipos de editores de sites e suas estratégias. Eu acho que sempre é possível encontrar uma combinação de anunciantes e editores, e mesmo os sites mais caça-níquel às vezes são alvos interessantes para anúncios e sempre devem ter alguma receita mesmo que mecanismos como a otimização por conversões.

O que não pode é achar que essa receita é tão grande que ofusca todo o resto, que está por baixo da superfície, mas é muito maior em volume e em importância. Essa parte, dos milhares de anúncios sobre milhares de assuntos, devem crescer cada vez mais e ainda podem fazer uso do escudo do Teorema de Coase (em inglês) e da resultante eficiência econômica para garantir sua estabilidade, já que os custos de transação são desprezíveis.

Sherwin Nuland conta sua experiência pessoal com eletrochoque

 Sherwin Nuland: My history of electroshock therapy

Sherwin Nuland é um cirurgião e escritor de sucesso. Nessa palestra de 2001, em inglês, ele conta sua experiência de como a terapia de eletrochoque salvou sua vida e permitiu a ele sair de um estado depressivo profundo, pelo qual ele estava internado em um hospital psiquiátrico, assombrado por pensamentos obsessivos e incapaz de funcionar normalmente. Os médicos mais experientes reunidos achavam que a única alternativa para ele seria uma lobotomia, mas um médico residente que o acompanhava pediu para que se tentasse o eletrochoque, e foi essa terapia que permitiu a Nuland controlar a depressão e retomar sua carreira e refazer sua vida.

A terapia eletroconvulsiva tem uma péssima fama, porque ela parece ser um tratamento bárbaro e mais uma tortura que uma terapia de verdade. Essa era a minha opinião, até que um psiquiatra conhecido e muito respeitado, e um grande humanista, pai de um amigo, disse que se a terapia de eletrochoque fosse proibida, ele a aplicaria escondido, porque ela salva vidas.

Posts pagos sem identificação são ilegais

Eu mencionei isso em um comentário em um post no Interney sobre uma discussão ocorrida durante Barcamp Rio (no qual eu não fui). Mas já que o assunto surgiu também durante o Blogcamp São Paulo e durante o debate do Estadão, mas não custa repetir: posts que são publicidade precisam ser identificados como tal. Isso é uma questão de respeito ao leitor, e à lei.

O Código de Defesa do Consumidor diz o seguinte:

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

Isso surgiu como forma de proteger os leitores quando colocam o chapéu de consumidores. Não é só porque os jornalistas acham que estão em uma torre de marfim, não é “apenas” porque isso mina a credibilidade do autor. É porque pode causar prejuízo a outras pessoas, que assumem que é opinião ou notícia algo que na verdade é publicidade.

Good Copy Bad Copy na 31ª Mostra de Cinema de São Paulo

Aproveite a Mostra de Cinema para assistir ao filme Good Copy Bad Copy. Ele estáLogo da Mostra programado para ser exibido na Mostra de Cinema de São Paulo na sexta-feira às 14 horas. Como é um média metragem, ele foi colocado em uma sessão dupla com o filme Uma Outra Selinunte.

Para quem está em São Paulo e tem esse horário livre, vale a pena conferir, mas é bom checar antes, porque diversos filmes da Mostra tem tido o horário trocado.

Veja também:

Via: Cinematógrafo

Viagem à Ásia Central

Foto do Avi de Samarkand

O Avi colocou no ar as fotos e relatos da viagem que fez para a Ásia Central, especialmente Uzbequistão, Tadjiquistão Quirguízia e parte noroeste da China, com retorno via Moscou.

Vale a pena dedicar algumas horas para ler, ver as fotos e acompanhar pelo mapa.

Update: corrigi os locais. Ele passou por Quiguízia e não pelo Tajiquistão e é mais apropriado falar noroeste da China, e ainda por cima a parte com influência muçulmana (por incrível que pareça).

Tecnobrega na CNN

Logotipo CNN.com

O blog do projeto A2K, reproduz matéria da CNN sobre o Tecnobrega, estilo musical que tem um modelo não ortodoxo de divulgação, baseado na cópia e no plágio como ferramenta para divulgação e para atrair público para shows. Esse modelo foi apresentado no documentário Good Copy Bad Copy, sobre o qual eu falei aqui.

“Este ano, as gravadoras multinacionais vão lançar apenas 40 discos de artistas brasileiros, enquanto os artistas do tecnobrega vão lançar cerca de 400”, diz Ronaldo Lemos. “A indústria de discos argumenta que se a propriedade intelectual não é protegida não vai haver inovação. Mas o tecnobrega mostrou que isso não é verdade.

Claro que o cartel discorda:

“A associação brasileira anti-pirataria descarta tecnobrega como um movimento insignificante que faz pouco caso da pirataria, que ela diz custar à economia brasileira 2 milhões de empregos por ano e 15 bilhões de dólares em receita de impostos”.

“Pirataria no Brasil está prejudicanto a capacidade das indústrias de música e filmes de investir na próxima geração de talento local. Receitas menores de vendas correntes significam menos dinheiro para investir em novos artistas”, disse o diretor geral da associação, Andre Borges, quando anunciou o plano da indústra de processar usuários de downloads ilegais no Brasil.

15 Bilhões de dólares? Será que eles não podiam apresentar números menos risíveis?
O cartel quer manter o controle sobre quem faz sucesso e quem não faz, e não gosta de caminhos alternativos, que não passam por eles:

O esquema de distribuição nasceu da necessidade — poucas gravadoras estavam interessadas no tecnobrega, mas copiadores empreendedores descrobriram que havia um mercado a explorar.

E a idéia que o Cartel tem, de que somente o modelo de negócios nos quais eles se basearam pode remunerar artistas, não encontra eco no resultado para os músicos que abraçaram a cópia:

O tecnobrega é também um motor econômico — movimentando cerca de 5 milhões de dólares por mês através da economia de Belém, de acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vergas. O cantor médio ganha cerca de 850 dólares por mês — cerca de cinco vezes o salário mínimo em Belém, e um salário decente para um músico

Veja Também:

Direito 2.0

Tecnocracia

Um “pouco” atrasado, eu vejo que o Manoel do Tecnocracia e do BlogCamp falou no dia 5 sobre Processos judiciais em tempos de Web 2.0.

É óbvio, notório e público que a nossa legislação ainda não sabe lidar com a Internet. Se soubesse, não presenciaríamos o ‘fechamento’ do YouTube para endereços brasileiros, não presenciaríamos a exclusão de comunidades do tipo ‘eu odeio o Barrichello’ do Orkut, não presenciaríamos o caso Xô Sarney – acatado por vários juízes, só uma jornalista acumula mais de meio milhão em multas do Tribunal Eleitoral. Isso nos dá medo e insegurança, ao mesmo tempo que revolta.

Não podemos continuar presenciando casos como esses sem fazer absolutamente nada. Ou lutamos contra esses absurdos ou ensinamos as pessoas como lidar com a Internet, a liberdade que ela propicia e a responsabilidade que herdamos com essa liberdade. Que tal fazermos as duas coisas? Se somos os responsáveis pela batizada Web 2.0, vamos ajudar a criar o Direito 2.0.

Eu assino embaixo. Esse foi um dos assuntos em discussão no último BlogCamp e acho importante que todo mundo que produz conteúdo ou que permite que outros gerem conteúdo estejam cientes da importância para o nosso futuro de ter leis apropriadas. Não existe motivo para a nossa lei, em especial, proteger os fortes e os poderosos contra os fracos e os cidadãos comuns. Seria bom ver isso discutido em todos os próximos eventos.

No BarCamp do Rio eu esperava participar de ótimas discussões, mas o trabalho me chama aqui mesmo em São Paulo.

Levedura e lingüística

Loom - LeveduraCarl Zimmer escreve em seu blog um elogio à levedura. Nesse artigo, ele comenta sobre como, apesar de sem graça, esses microorganismos são muito estutados, e podem trazer luz a muitas questões interessantes sobre biologia e sobre a evolução, o que os torna muito importantes para a área de Evo-Devo, ou Evolução do Desenvolvimento.

Galactose. No artigo, a questão é o mecanismo bioquímico de digestão da galactose. Descobriu-se que a levedura desenvolveu um mecanismo sofisticado, a partir do mecanismo mais simples de antecessores, quando houve uma duplicação do material genético devido a um erro de cópia. Antes da duplicação, as proteínas relacionadas a esse mecanismo eram todas essenciais e não podiam mudar muito sem comprometer a viabilidade dos indivíduos. Com a duplicação surgiu uma cópia do material genético que não era mais fundamental e que, por isso, podia sofrer evolução e um mecanismo mais sofisticado pôde surgir ao longo do tempo. A eficiência do controle da digestão da galactose aumentou em centenas de vezes quando uma cópia de uma proteína passou a atuar, com algumas mudanças, de forma mais eficiente em outra atividade. As leveduras que possuiam esse mecanismo suplantaram as leveduras desprovidas desse mecanismo rapidamente.

VWXYNOT? Comentando o artigo, VWXYNot? menciona dois posts seus, um pouco mais áridos. Em um deles, ela dá mais dados sobre a duplicação, que teria acontecido entre 100 e 200 milhões de anos atrás e cita pesquisas que utilizam essa duplicação para estudar complexos de proteínas interrelacionadas. No outro, ela fala sobre o estudo das regiões sem genes do código genético e na taxa de mudança nessas regiões.

Linguística. Ao ler esse artigo, eu lembrei de um outro recente, em uma área completamente diferente: a lingüística. Sabe-se que regiões do código genético responsáveis pela geração de proteínas vitais ou pela expressão de genes vitais tendem a ter muito menos alterações que regiões pouco importantes para a sobrevivência do organismo. Na revista Nature deste mês um artigo de Mark Pagel, Quentin D. Atkinson e Andrew Meade descreve o mesmo efeito em línguas, notando que palavras muito utilizadas possuem muito menos variação entre línguas de mesma origem que palavras pouco utilizadas. Assim, a palavra “cauda” é “tail” em inglês, “schwanz” em alemão e “queue” em francês, ou seja, completamente diferentes umas das outras, mas a palavra para “dois” é razoavelmente parecida em todas essas línguas, simplesmente por ser mais vital, e portanto menos sujeita a mudanças.

Abaixo o Ciclo de Krebbs. Para encerrar, um artigo da New Scientist fala sobre leveduras também, explicando como as leveduras puderam deixar de lado a respiração aeróbica, que produz muito mais energia (36 ATPs), em troca da produção de álcool (2 ATPs). Leveduras conseguem utilizar oxigênio, mas produzem álcool assim mesmo, ao contrário de alguns organismos aparentados. Isso parece difícil de entender. A produção de álcool precisaria ter uma vantagem competitiva para justificar um comportamento tão estranho. A resposta, o artigo explica, é que a famosa e já citada duplicação de genes permitiu alterações no mecanismo de controle da respiração, e o surgimento de enzimas que permitiam à levedura se alimentar de álcool, com o uso de oxigênio.
Surgiu, então o processo pelo qual a levedura produz álcool a partir do açúcar, gerando pouca energia. O álcool mata microorganismos competidores, o que permite à levedura ficar praticamente sozinha. Posteriormente, quando os açúcares acabam e só existe álcool, ela consome esse álcool, usando oxigênio e produzindo gás carbônico. Por esse motivo, o processo de fermentação para produção de bebidas deve ser interrompido antes que a levedura comece a consumir o álcool de forma significativa. Para isso, recomenda-se beber o líquido antes que isso aconteça, ou manter a bebida dentro de um recipiente selado, sem oxigênio, o que impede o consumo do álcool pela levedura, e permite que a bebida se conserve por décadas.