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Tecnobrega na CNN

Monday, October 22nd, 2007

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O blog do projeto A2K, reproduz matéria da CNN sobre o Tecnobrega, estilo musical que tem um modelo não ortodoxo de divulgação, baseado na cópia e no plágio como ferramenta para divulgação e para atrair público para shows. Esse modelo foi apresentado no documentário Good Copy Bad Copy, sobre o qual eu falei aqui.

“Este ano, as gravadoras multinacionais vão lançar apenas 40 discos de artistas brasileiros, enquanto os artistas do tecnobrega vão lançar cerca de 400″, diz Ronaldo Lemos. “A indústria de discos argumenta que se a propriedade intelectual não é protegida não vai haver inovação. Mas o tecnobrega mostrou que isso não é verdade.

Claro que o cartel discorda:

“A associação brasileira anti-pirataria descarta tecnobrega como um movimento insignificante que faz pouco caso da pirataria, que ela diz custar à economia brasileira 2 milhões de empregos por ano e 15 bilhões de dólares em receita de impostos”.

“Pirataria no Brasil está prejudicanto a capacidade das indústrias de música e filmes de investir na próxima geração de talento local. Receitas menores de vendas correntes significam menos dinheiro para investir em novos artistas”, disse o diretor geral da associação, Andre Borges, quando anunciou o plano da indústra de processar usuários de downloads ilegais no Brasil.

15 Bilhões de dólares? Será que eles não podiam apresentar números menos risíveis?
O cartel quer manter o controle sobre quem faz sucesso e quem não faz, e não gosta de caminhos alternativos, que não passam por eles:

O esquema de distribuição nasceu da necessidade — poucas gravadoras estavam interessadas no tecnobrega, mas copiadores empreendedores descrobriram que havia um mercado a explorar.

E a idéia que o Cartel tem, de que somente o modelo de negócios nos quais eles se basearam pode remunerar artistas, não encontra eco no resultado para os músicos que abraçaram a cópia:

O tecnobrega é também um motor econômico — movimentando cerca de 5 milhões de dólares por mês através da economia de Belém, de acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vergas. O cantor médio ganha cerca de 850 dólares por mês — cerca de cinco vezes o salário mínimo em Belém, e um salário decente para um músico

Veja Também:

Artigo da Caros Amigos sobre DRM na TV Digital

Friday, September 21st, 2007

Logotipo Revista Caros AmigosA revista Caros Amigos publica excelente artigo escrito por Diogo Moyses e Oona Castro sobre o DRM na TV Digital, que toca nos principais pontos pelos quais ele é uma péssima idéia:

Sobre os usos justos do conteúdo:

Caso venha a fazer parte das normas técnicas do SBTVD, o DRM impedirá o espectador de gravar qualquer programa televisivo. Os conteúdos somente poderão ser armazenados no set top box, aparelho conversor pelo qual vai passar o sinal digital para que usuário possa assisti-lo em sua atual televisão. O professor que deseja gravar programas de TV para posterior exibição em sala de aula (para ilustrar algum conteúdo disciplinar, por exemplo) ou mesmo o telespectador que habitualmente grava conteúdos ficcionais (novelas, por exemplo) ou jornalísticos (como uma entrevista importante) para depois assisti-los em qualquer outro lugar, não poderá mais fazê-lo, já que a armazenagem no set top box não permite que o conteúdo seja transmitido a outra mídia e, portanto, assistido em qualquer outro lugar – nem na casa dos amigos, nem na escola, nem no trabalho.

Sobre obras de domínio público ou com licenças permissivas:

Filmes como “O Garoto”, de Charles Chaplin ou “O Gabinete do Dr. Caligari”, de Robert Wiene ou por exemplo, de notória relevância, são de domínio público. Qualquer cidadão tem o direito de copiar, utilizar e distribuir tais obras. Com o DRM, tal direito será tolhido. Da mesma forma, filmes como “Cafuné”, licenciado em Creative Commons, cuja distribuição sem fins comerciais está autorizada pelo autor, não poderá ser copiado.

Sobre o desequilíbrio entre os direitos dos diversos agentes:

Em resumo, caso adote o DRM, o Estado brasileiro vai retirar do cidadão o que lhe é de direito, fazendo com que um dispositivo técnico se sobreponha à lei. Em nome de um direito (o autoral), violar-se-à outro igualmente importante (o de acesso às obras). Para que o leitor não seja enganado por afirmações sem fundamento, é preciso lembrar que a TV por assinatura já possui sinal digital e a comercialização de DVDs ilegais não se deve à gravação da programação exibida por cabo ou satélite. Não se vendem DVDs – copiados de forma caseira – da Fox, Telecine e outras, até porque os filmes são exibidos muito antes nas salas de cinema.

Sobre o custo e a perda de independência:

O sistema anticópia defendido para o SBTVD, o High-bandwith Digital Copy Protection (HDCP), é proprietário, ou seja, uma empresa privada detém os direitos sobre a tecnologia. Sua inclusão na fabricação dos conversores da TV digital, se imposta à indústria pelo Executivo, implicará em pagamento de royalties, encarecendo ainda mais um produto que, indicam os fabricantes, já não será acessível ao conjunto da população.

Entretanto, há quem esteja disposto a cobrir esse custo. Recentemente, a MPAA (Motion Picture Association of America), representante dos estúdios de Hollywood, esteve em Brasília, acompanhada de representantes das emissoras nacionais, para oferecer ao governo brasileiro subsídios para a inclusão do DRM nos conversores. Curiosamente, foi após essa reunião que o ministro das Comunicações declarou que, ao contrário do que havia anunciado anteriormente, o SBTVD adotaria sim o uso de sistema anticópia.

Com isso, além da evasão de capital nacional para o exterior e o encarecimento do set top box, compromete-se a livre concorrência, na medida em que a empresa detentora da tecnologia monopolizará sua produção, impedindo a inovação e a fabricação de dispositivos compatíveis com o SBTVD.

O uso da “pirataria” como desculpa e sua ineficiência:

A campanha contra a pirataria, uma vez mais, é a fachada para defender a inclusão do dispositivo na TV digital. Mas vale a pergunta: quando um CD da Marisa Monte, lançado com DRM, apareceu nas barracas de camelô, quem foi o responsável pela quebra do sistema? Um usuário médio, padrão, fã da cantora? Ou um especialista capaz de quebrar tantos outros sistemas anticópia? E quem será o responsável pela distribuição ilegal? O mesmo usuário padrão e seu fã? Ou seja, o DRM é, inclusive, ineficiente, facilmente violável por especialistas. Prejudicará somente o telespectador, não trazendo benefícios nem à grande indústria que tanto o defende.

Sobre TV Digital neste blog:

Leia o artigo da Caros Amigos aqui.

via A2K