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	<title>Da Correia Fotorreceptora &#187; concentração</title>
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	<description>Sem tagline agora</description>
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		<title>O cacoete da relevância</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Sep 2007 17:29:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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Eu não consegui ir ao debate do Estadão e me arrependi disso. Mas vi o post do Edney (bem-vindo, Edney) e estou agora vendo a íntegra aqui.
O debate foi estranho, sobre um assunto estranho e o tema, falacioso. O próprio nome, &#8220;Responsabilidade e Conteúdo Digital&#8221; já é uma armadilha, porque tenta focar em um ponto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.estadao.com.br/" title="Estadão"><br />
<img src="http://andreum.blog.br/pt/wp-content/uploads/2007/09/logo_estadao.png" alt="Logo Estadão" /></a></p>
<p>Eu não consegui ir ao debate do Estadão e me arrependi disso. Mas vi o <a href="http://www.interney.net/?p=9760282" title="interney.net: Debate do Estadão - minha participação">post do Edney</a> (bem-vindo, Edney) e estou agora vendo a íntegra <a href="http://rodrigobarba.com/blog/2007/08/30/estadao-x-blogueiros-video-do-debate/" title="rodrigobarba: Estadão x Blogueiros - Vídeo do Debate">aqui.</a></p>
<p>O debate foi estranho, sobre um assunto estranho e o tema, falacioso. O próprio nome, &#8220;Responsabilidade e Conteúdo Digital&#8221; já é uma armadilha, porque tenta focar em um ponto que é considerado fraco dos blogs, o de responsabilidade, que apenas um jornal teria. Continuou pela parte da qualidade do leitor, que é uma continuação, parece, de um tema comum no <a href="http://www.blogcamp.com.br/" title="Blogcamp 2007">Blogcamp</a>: a formação e qualificação dos leitores.</p>
<p>Permeando boa parte da discussões está uma visão de mundo elitista, na qual se critica de um lado os bloggers por &#8220;produzirem muita porcaria&#8221; e os leitores por &#8220;consumirem muita porcaria&#8221; sem que se reconheça qualquer valor nas manifestações públicas individuais. Essa é uma opinião pré-Internet que, na minha opinião, vem de um cacoete desenvolvido em um mundo de escassez no qual os custos são altos e a massificação é uma necessidade econômica, mas que não se aplica mais quando qualquer um pode ser publicado com custos baixos.</p>
<p>Antes da Internet, as palavras precisavam ser escritas em número certo, editadas, formatadas, impressas e distribuídas, e isso é um trabalho difícil, que exige uma operação industrial que não pode ser efetivamente montada por indivíduos. Grande parte do prédio do Estadão da Marginal Tietê é tomado por uma grande área industrial, destinada a imprimir os jornais onde se entra somente com tapa-ouvidos. Ao mesmo tempo, um andar inteiro é dedicado aos jornalistas e outros a vendedores de anúncios, entrega, telecomunicações, sistemas, diagramação, organização, restaurante, recursos humanos e tem ainda todas as filiais em diversas cidades.</p>
<p>Esse trabalho exige uma organização enorme, e quanto maior essa organização, mais fácil é para ela competir contra outras organizações, por motivos econômicos. Essa vantagem  levou, com o passar das décadas, à concentração econômica, ao ponto em que há apenas um grande jornal por cidade, com algumas exceções, inclusive de alguns de alcance nacional que conseguiam conviver na mesma cidade (Estadão e Folha, Jornal do Brasil e O Globo). Princípios similares levaram à concentração das revistas, das rádios e das TVs dentro de seus nichos.</p>
<p>De um lado, essa concentração deu a esses meios de comunicação importância em controlar a comunicação, para bem ou para o mal. Por outro lado, deu a eles capacidade econômica para contratar e sustentar equipes grandes e profissionais de alto nível, e garantiu a esses profissionais um público maior de leitores e portanto maior impacto em seus textos, mas como o espaço é limitado, é feita uma escolha e somente se publica o que se considera relevante para uma faixa ampla da população. O lema do New York Times, afinal, é &#8220;<em>All the news that is fit to print</em>&#8220;.</p>
<p>À medida em que a existência de grandes grupos industriais deixa de ser necessária para  uma operação de informação, muitas vozes que estavam caladas por falta de oportunidade &#8211; e por não serem consideradas dignas de publicar &#8211; começam a poder ser ouvidas. Acontece que quem está esperando manifestações típicas daquele mundo de escassez e grandes jornais vê, por seu prisma, uma catástrofe, com hordas de bárbaros destruindo a civilização. Nesse debate, e em outros, se vêem blogs como se fossem jornais ou como se eles precisassem se adaptar às regras e limitações que surgiram no mundo dos jornais, e isso não é verdade.</p>
<p>Blogs tem custo baixo, pouca ou nenhuma receita e não tem normalmente uma grande operação econômica por trás. São opinião pura. O lema como um todo pode ser &#8220;<em>All the news</em>&#8220;, porque não é mais necessário se preocupar com se um artigo ou matéria cabe ou não, em todos os sentidos de &#8220;caber&#8221;. Não é mais necessário publicar somente algo que tenha apelo universal. É possível publicar o que tem apelo local, regional ou tópico, ou mesmo o que não tem apelo nenhum.</p>
<p>Enquanto nos jornais existe uma competição pelo espaço limitado que dá à relevância geral e ao retorno econômico papéis cruciais na decisão sobre o que vai ser apresentado ao leitor, na Internet somente a relevância e a visibilidade para cada leitor contam. Lembrem-se do velho axioma: &#8220;toda notícia é local&#8221;.</p>
<p>Portanto, no debate, ao mesmo tempo em que se reclamava da irrelevância e baixa qualificação de blogs pessoais, se ignoravam os defeitos do jornalismo diário (que está longe de ser infalível). Além do que, em um meio com tantas vozes quanto a chamada blogosfera, utilizar pequenos blogs pessoais como referência sobre o que é um blog é como utilizar folhetos de anúncios de trabalhos de macumba e amarração para o amor como representativos da mídia impressa: pode ser feito, mas não sem uma boa dose de desonestidade.</p>
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