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Google abandona a Correia Fotorreceptora

Thursday, December 6th, 2007

O google melhorou a base de dados do Google Translate, e agora “web” é traduzido como “Web” ao invés do tradicional “correia fotorreceptora“. Uma grande perda para o marketing deste blog.

Nem tudo está perdido do ponto de vista humorístico e poético, porém: ele traduz “spider web” como “Spider Web” (é só colocar a primeira letra de cada palavra como maiúscula? Ele acha que português é alemão?) e “the spider is weaving its web” (“a aranha está tecendo sua teia”) como “Da aranha é a tecelagem da web”.

E nós sempre podemos contar com o Altavista Babel Fish, o Yahoo Babel Fish e o Tradutor da Microsoft, que mantêm a tradução correta. O da Microsoft na verdade está apenas meio correto. Ele dá a opção de indicar se o conteúdo é relacionado a computadores ou não através de um checkbox. Selecionando, ele traduz “web” como “Web”. Sem selecionar, porém, ele traduz “web” como (você adivinhou!) “correia fotorreceptora”. “the spider is weaving its web” se torna “a aranha está tecendo sua correia fotorreceptora” se o conteúdo não é relacionado a computadores e “o rastreador é weaving sua Web” se é.

A Microsoft confia tanto no tradutor que o utiliza para fazer o próprio site. No final da página do tradutor existe um link que diz “Adicionar página de Web do Translator ao seu site“. Somente um programa automático com essa qualidade escreveria “página de Web” ao invés de “página web”.

Não existe bolha do Adsense

Sunday, November 4th, 2007

Tecnocracia

O Manoel Netto do Tecnocracia escreveu um post defendendo a tese de que
A “Bolha AdSense” vai estourar. Eu discordo, e acho que o artigo do Manoel confundiu a parte contra o todo e fiquei com vontade de discordar.

Primeiro, minhas credenciais: sou um grande anunciante no Adwords e um grande editor do Adsense. Sobre o Adsense, se um dia eu acordasse de saco cheio, poderia deixar de lado a área de hospedagem, demitir todo mundo e viver somente dos anúncios no Inforum, e tanto eu quanto meu sócio poderíamos ter uma vida bastante confortável. Não vamos fazer isso, claro, mas ganharíamos o suficiente. Ao invés disso, gastamos uma quantia significativa, ainda maior, em anúncios do Adwords (além de outros meios) com o objetivo de transformar a Insite em uma das maiores empresas de hospedagem do Brasil

E é tendo essa experiência nas duas pontas, que eu posso dizer que não existe “Bolha Adsense” para estourar. Pode existir uma bolha de sites chamados “caça-paraquedistas do momento”, ou seja, sites interessados em atrair público escrevendo artigos sobre assuntos da moda ou do momento, mas eu acho que não existe, e acho que eles não são tão significativos, de qualquer forma. O grosso das buscas, e o grosso da receita, não acontece em artigos que falam sobre assuntos da moda, mas em artigos antigos.

Se essa “bolha” vai estourar, não vai ser porque alguém vai fazer algo para impedir, mas sim porque a competição por esses termos vai ser tão grande, que a maior parte das pessoas que adotam essa estratégia vai ganhar pouco e vai desistir.

O Adsense funciona porque ele junta milhares de anunciantes e milhares de editores diferentes, com interesses diferentes, e é preciso levar em conta os diversos tipos e objetivos de anúncios, e os diversos tipos de editores de sites e suas estratégias. Eu acho que sempre é possível encontrar uma combinação de anunciantes e editores, e mesmo os sites mais caça-níquel às vezes são alvos interessantes para anúncios e sempre devem ter alguma receita mesmo que mecanismos como a otimização por conversões.

O que não pode é achar que essa receita é tão grande que ofusca todo o resto, que está por baixo da superfície, mas é muito maior em volume e em importância. Essa parte, dos milhares de anúncios sobre milhares de assuntos, devem crescer cada vez mais e ainda podem fazer uso do escudo do Teorema de Coase (em inglês) e da resultante eficiência econômica para garantir sua estabilidade, já que os custos de transação são desprezíveis.

Google acabou com sites por assinatura?

Thursday, September 20th, 2007

NYT Logo

No Blog de Finanças da revista Portfolio, Felix Salmon afirma que foi o Google que acabou com o Times Select. De certa forma, ele está certo, ou talvez seja melhor dizer que foi um fim esperado com a Internet como funciona hoje em dia.
O Times Select foi o produto criado pelo New York Times para rentabilizar seu site há dois anos. O acesso era liberado durante um período de, creio, 1 semana e após esse período, somente pagando pela assinatura. Além disso, algumas matérias especiais, editoriais, op-eds e textos de colunistas eram exclusivos de assinantes.

A empresa conseguiu um faturamento de cerca de 10 milhões de reais por ano, mas mesmo assim resolveu, esta semana, abrir o acesso novamente. O motivo: o tráfego vinha principalmente de mecanismos de busca, e não diretamente. Esse tráfego, do qual o jornal abria mão por deixar o conteúdo atrás de um muro, era perdido. Com o crescimento da Internet, torna-se possível ganhar mais dinheiro fornecendo conteúdo de graça do que cobrando por ele, paradoxalmente.

Acontece que para ganhar tráfego, você precisa de reputação virtual, i.e., links de outros sites. Quando o NYT fechou o acesso, as matérias do NYT deixaram de ser repassadas e de receber links em blogs e artigos. Ou seja, perderam “relevância” na área na qual as discussões mais crescem, e que ocupa fatia cada vez maior do tempo das pessoas.

Brad DeLong também completa que as próprias instituições perdem importância, e que as pessoas que escrevem ganham cada vez mais valor, graças a essa reputação surgida da facilidade dos mecanismos de busca.

Agora, falta o mais importante site pago do mundo, Wall Street Journal fazer o mesmo, o que bem pode acontecer já que seu novo e infame dono, também é dono do Myspace.

via Brad DeLong.

Tradução da Microsoft também prestigia Da Correia Fotorreceptora

Sunday, September 9th, 2007

O Google Discovery anuncia o lançamento de seu novíssimo tradutor on-line, utilizando tecnologia da Systran, somado a tecnologia própria, com suporte a 26 pares de línguas.

Windows Live - From the Web

Eu não pude me conter e testei a tradução que dá nome a este blog e, de fato a Microsoft também nos prestigia: “from the web” é traduzido como “da correia fotorreceptora“. Outras variações como “web master” também dão resultados interessantes.

Que tipo de processo de desenvolvimento pode permitir que um erro desse tamanho persista por mais de 10 anos? Como é possível que a mesma base de língua portuguesa seja vendida para três grandes empresas diferentes sem essa correção básica, e sem melhora perceptível de qualidade em todo esse tempo?

Eu imaginava a princípio que a Digital tivesse comprado uma base antiga para o venerável Altavista Babelfish e nunca tivesse atualizado. Mas depois, quando o Google lançou suas ferramentas de tradução com os mesmos erros, e agora que a Microsoft fez a mesma coisa, eu acho possível perder toda e qualquer esperança de que o suporte a língua portuguesa seja melhorado nessa linha de produtos.

A única possibilidade é que não exista ninguém dando manutenção. Suporte a língua portuguesa é um item a marcar em uma planilha de recursos, e está tão bom hoje quanto vai ser em qualquer momento no futuro. Ele está tão bom quanto a Systran acha razoável deixar.

Qualquer sistema de tradução que preste para a Língua Portuguesa vai precisar vir de outra fonte.