O problema não é a guarda dos logs

Senador Eduardo Azeredo

O substitutivo do Senador Azeredo foi aprovado no Senado e vai ser votado na Câmara. Depois da Comissão de Constituição e Justiça e depois de ter sido remendado pelo Senador Mercadante, ele está bem melhor. Não é mais um projeto que poderia significar o fim para a Internet brasileira, mas ainda é um péssimo projeto de lei, ele deveria ser corrigido, mas na falta dessa possibilidade, derrubado ou vetado.

A cobertura da imprensa tem focado na reação dos provedores e no custo de manter logs por 3 anos, mas isso é obviamente desprezível para os grandes provedores que reclamam. Eu acho que esse argumento é inepto e não consigo entender porque a Abranet escolheria um argumento tão fraco contra a lei. Eles optaram brigar por um detalhe insignificante e dão a impressão de que os outros argumentos contra o projeto de lei são igualmente fracos. Mas não são.

Conexão? O projeto assume e nunca questiona a idéia de que os usuários se ligam à Internet através de “conexões”, que devem ser registradas e que os criminosos seriam identificados através desses endereços IP. O problema é que isso nem sempre é verdade. Mais e mais acessos são feitos à Internet sem “conexão” e cada vez mais frequentemente não possuem endereços IP únicos.

Toda comunicação feita pela Internet é feita entre endereços IP, então, de fato, tudo que se faz possui um endereço IP, mas endereços IP são um recurso limitado e em rápido esgotamento(inglês). Devido a essa limitação, e por diversos outros motivos, muitos acessos à Internet hoje em dia, especialmente os que acontecem de dentro de redes locais, através de redes Wi-fi, ou que fazem uso de proxies para economia de banda, compartilham endereços IP através do mecanismo de NAT. Isso significa que já não é mais possível saber quem foi o responsável por um acesso, já que não há registro, exceto se se mantivesse um registro de tudo que foi feito, ou seja, o fluxo de navegação.

Incompreensão. Os assessores do Senador dizem que não exigiram o registro de tudo que se faz na Internet, mas então eles precisariam ter analisado melhor o texto do projeto de lei. O que está escrito na lei precisa ser implementado, e essas implementações têm consequências. Quando se apontam essas consequências, o Senador e os assessores dizem que não foi o que eles disseram e que os críticos não leram o projeto de lei.

Esse comportamento tem sido uma constante em todas as iterações do projeto: sempre existiu uma diferença grande entre o que eles alegavam que estava na lei, e o que estava de fato escrito. O que vale, afinal, é o texto da lei, não as explicações. O fato de que o senador e seus assessores gostariam que o projeto de lei tivesse apenas consequências positivas não faz com que isso aconteça. Para isso é necessário uma redação correta e precisa e uma compreensão do assunto sobre o que se está legislando.

No caso da guarda dos logs, eles até estariam corretos, pedindo algo razoável, se se assumisse que são verdadeiras todas as seguintes condições:

  1. que existe um “responsável pelo provimento de acesso à Internet” para todo usuário;
  2. que esse responsável é um provedor com recursos como Telefonica, Oi, iG, Terra ou UOL;
  3. que todo acesso à Internet é feito com uma “conexão”;
  4. que toda “conexão” possui um IP único;
  5. que toda “conexão” gera um registro; e
  6. que o problema é que esses registros não são guardados

Mas essa não é a Internet que realmente existe.

Projeto de lei dos senadores Azeredo e Calheiros novamente

Balança da justiçaO projeto de lei do senado 76/2000 foi aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Esse é o mesmo projeto que gerou indignação geral por exigir o registro dos usuários da Internet. Esse item foi na maior parte removido, mas o projeto continua muito ruim.

O exemplo mais gritante é que no artigo 5 ele criminaliza a distribuição de virus mesmo sem a intenção, impondo penas de 3 a 5 anos de prisão. Se seu computador for infectado e começar a mandar e-mails, você pode ir para a cadeia, ou no mínimo passar a ter antecedentes criminais. O projeto é cheio de surpresas desagradáveis.

Ainda preciso terminar de ler o projeto de lei, mas enquanto isso, aqui está a íntegra do substitutivo aprovado, que agora vai passar pela última comissão do Senado:

Projeto de lei do Senado 76/2000 aprovado pela CCT

Obrigado ao Omar Kaminski pelo texto.

Não existe bolha do Adsense

Tecnocracia

O Manoel Netto do Tecnocracia escreveu um post defendendo a tese de que
A “Bolha AdSense” vai estourar. Eu discordo, e acho que o artigo do Manoel confundiu a parte contra o todo e fiquei com vontade de discordar.

Primeiro, minhas credenciais: sou um grande anunciante no Adwords e um grande editor do Adsense. Sobre o Adsense, se um dia eu acordasse de saco cheio, poderia deixar de lado a área de hospedagem, demitir todo mundo e viver somente dos anúncios no Inforum, e tanto eu quanto meu sócio poderíamos ter uma vida bastante confortável. Não vamos fazer isso, claro, mas ganharíamos o suficiente. Ao invés disso, gastamos uma quantia significativa, ainda maior, em anúncios do Adwords (além de outros meios) com o objetivo de transformar a Insite em uma das maiores empresas de hospedagem do Brasil

E é tendo essa experiência nas duas pontas, que eu posso dizer que não existe “Bolha Adsense” para estourar. Pode existir uma bolha de sites chamados “caça-paraquedistas do momento”, ou seja, sites interessados em atrair público escrevendo artigos sobre assuntos da moda ou do momento, mas eu acho que não existe, e acho que eles não são tão significativos, de qualquer forma. O grosso das buscas, e o grosso da receita, não acontece em artigos que falam sobre assuntos da moda, mas em artigos antigos.

Se essa “bolha” vai estourar, não vai ser porque alguém vai fazer algo para impedir, mas sim porque a competição por esses termos vai ser tão grande, que a maior parte das pessoas que adotam essa estratégia vai ganhar pouco e vai desistir.

O Adsense funciona porque ele junta milhares de anunciantes e milhares de editores diferentes, com interesses diferentes, e é preciso levar em conta os diversos tipos e objetivos de anúncios, e os diversos tipos de editores de sites e suas estratégias. Eu acho que sempre é possível encontrar uma combinação de anunciantes e editores, e mesmo os sites mais caça-níquel às vezes são alvos interessantes para anúncios e sempre devem ter alguma receita mesmo que mecanismos como a otimização por conversões.

O que não pode é achar que essa receita é tão grande que ofusca todo o resto, que está por baixo da superfície, mas é muito maior em volume e em importância. Essa parte, dos milhares de anúncios sobre milhares de assuntos, devem crescer cada vez mais e ainda podem fazer uso do escudo do Teorema de Coase (em inglês) e da resultante eficiência econômica para garantir sua estabilidade, já que os custos de transação são desprezíveis.

Posts pagos sem identificação são ilegais

Eu mencionei isso em um comentário em um post no Interney sobre uma discussão ocorrida durante Barcamp Rio (no qual eu não fui). Mas já que o assunto surgiu também durante o Blogcamp São Paulo e durante o debate do Estadão, mas não custa repetir: posts que são publicidade precisam ser identificados como tal. Isso é uma questão de respeito ao leitor, e à lei.

O Código de Defesa do Consumidor diz o seguinte:

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal.

Isso surgiu como forma de proteger os leitores quando colocam o chapéu de consumidores. Não é só porque os jornalistas acham que estão em uma torre de marfim, não é “apenas” porque isso mina a credibilidade do autor. É porque pode causar prejuízo a outras pessoas, que assumem que é opinião ou notícia algo que na verdade é publicidade.

Good Copy Bad Copy na 31ª Mostra de Cinema de São Paulo

Aproveite a Mostra de Cinema para assistir ao filme Good Copy Bad Copy. Ele estáLogo da Mostra programado para ser exibido na Mostra de Cinema de São Paulo na sexta-feira às 14 horas. Como é um média metragem, ele foi colocado em uma sessão dupla com o filme Uma Outra Selinunte.

Para quem está em São Paulo e tem esse horário livre, vale a pena conferir, mas é bom checar antes, porque diversos filmes da Mostra tem tido o horário trocado.

Veja também:

Via: Cinematógrafo

Aumento dos tamanhos dos planos de hospedagem

Insite

Desculpem se isso for soar como uma propaganda deslavada, mas eu queria ser o primeiro a avisar que nós acabamos de aumentar nossos planos de hospedagem da Insite. Nós dobramos os tamanhos de espaço e banda em todos os planos novos. Nosso plano de hospedagem mais barato agora tem 10 GB de espaço e 200 GB de limite de transferência. Os planos de revenda também foram dobrados, mas os planos Revenda IV e Revenda V foram eliminados, uma vez que com o tamanho deles, uma hospedagem dedicada se torna mais adequado, e estamos trabalhando para montar exatamente esse serviço dedicado, logo.

Se você já é cliente da Insite e ainda não aparecem os novos tamanhos no painel de controle, por favor, aguarde alguns dias, porque demora um pouco para essa alteração ser propagada para todos os clientes. De qualquer forma, enquanto isso não acontecer, não se preocupe que nós não vamos cobrar banda extra.

Como sempre acontece, essas atualizações de espaço podem levar a algumas migrações de hospedagens entre máquinas, como forma de garantir que vamos atender a todos os clientes. Tomamos sempre muito cuidado para garantir que esses aumentos são feitos sem sacrificar qualidade, mas às vezes alguns problemas surgem. De qualquer forma, não esperamos problemas, mas se surgirem, entrem em contato conosco pelo 0800.

Esses aumentos constantes que fazemos nos planos de hospedagem têm como objetivo permitir que sites cada vez maiores e com mais recursos possam existir. Dentro da Insite já tivemos muitos casos de sites que, apesar de não serem tão grandes, acabavam custando muito caro no modelo antigo de hospedagem, que prevaleceu até 2005 no Brasil. Com o novo modelo que surgiu com o plano Fit (apesar da modéstia, eu preciso reconhecer que ele foi um divisor de águas no mercado brasileiro), os sites já não precisam mais ficar pequenos por medo de usar banda demais. Isso faz parte da nossa visão para a Internet brasileira no futuro, com sites cada vez maiores, mais ricos e interessantes. Temos muito orgulho de todos os nossos clientes, cujos sites nem seriam possíveis há dois anos, ou seriam caros demais.

Agora voltamos à nossa programação normal.

Acampamento EFF para sites Web 2.0

EFF - Bootcamp

A EFF está promovendo um evento para passar para os novos desenvolvedores de sites com conteúdo gerado pelos usuários saberem como lidar com a lei, com a polícia, com reclamações, direitos autorais, patentes, e muito mais. Pena que é na Califórnia, e não no Brasil.

É um mundo complicado, com muitas leis e muitos interesses conflitantes, e mudando muito rápido. Nós precisamos muito de algo assim por aqui. Ainda chegamos lá.

via Oblomovka

Google acabou com sites por assinatura?

NYT Logo

No Blog de Finanças da revista Portfolio, Felix Salmon afirma que foi o Google que acabou com o Times Select. De certa forma, ele está certo, ou talvez seja melhor dizer que foi um fim esperado com a Internet como funciona hoje em dia.
O Times Select foi o produto criado pelo New York Times para rentabilizar seu site há dois anos. O acesso era liberado durante um período de, creio, 1 semana e após esse período, somente pagando pela assinatura. Além disso, algumas matérias especiais, editoriais, op-eds e textos de colunistas eram exclusivos de assinantes.

A empresa conseguiu um faturamento de cerca de 10 milhões de reais por ano, mas mesmo assim resolveu, esta semana, abrir o acesso novamente. O motivo: o tráfego vinha principalmente de mecanismos de busca, e não diretamente. Esse tráfego, do qual o jornal abria mão por deixar o conteúdo atrás de um muro, era perdido. Com o crescimento da Internet, torna-se possível ganhar mais dinheiro fornecendo conteúdo de graça do que cobrando por ele, paradoxalmente.

Acontece que para ganhar tráfego, você precisa de reputação virtual, i.e., links de outros sites. Quando o NYT fechou o acesso, as matérias do NYT deixaram de ser repassadas e de receber links em blogs e artigos. Ou seja, perderam “relevância” na área na qual as discussões mais crescem, e que ocupa fatia cada vez maior do tempo das pessoas.

Brad DeLong também completa que as próprias instituições perdem importância, e que as pessoas que escrevem ganham cada vez mais valor, graças a essa reputação surgida da facilidade dos mecanismos de busca.

Agora, falta o mais importante site pago do mundo, Wall Street Journal fazer o mesmo, o que bem pode acontecer já que seu novo e infame dono, também é dono do Myspace.

via Brad DeLong.

Patente de software e patente de música no Brasil

Balança da justiça Eu falei em um post anterior que no Brasil não há patente de software, e acho que seria bom esclarecer isso.

Na lei brasileira não só não há previsão desse tipo de patente, como ainda há proibições específicas, pois na lei 9279 de 14/5/1996 está escrito o seguinte:

Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade:

I – descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; (…)

V – programas de computador em si;

Na lei americana não havia previsão de patentes sobre software, já que patentes foram feitas para proteger invenções específicas, não idéias, e software é completamente formado por idéias. Porém, ao longo do tempo, diversas decisões judiciais foram ampliando o escopo do que uma patente podia proteger até o momento em que se chegou à situação atual na qual praticamente tudo pode ser registrado, mesmo software, descobertas e métodos de fazer negócio.

Felizmente, a lei brasileira limita exatamente as patentes mais perigosas, porque inteferem excessivamente no jogo econômico, como as de métodos de negócios e de software.

Esses dois tipos de patente tem o problema de limitar a competição entre empresas de forma desproporcional, e ao invés de aumentar a inovação acabam reduzindo porque causam uma insegurança jurídica muito grande.

Claro que alguém vai perguntar, mas e músicas, são patenteáveis? Não, não existe patente de música, existe copyright de música, já que músicas não são invenções. Da mesma forma, não há patente sobre marcas. Há registro de marcas. São 3 tipos de proteções diferentes, com prazos e regras bem diferentes.

Mas sempre é bom lembrar que eu não sou um advogado e que, se você depende disso, você deve consultar um antes de fazer qualquer coisa ou você pode se arrepender. Eu tento acompanhar o andamento dessas leis, exatamente para eu não me arrepender de algo que outros fizeram.

Ainda bem que não temos patentes de software no Brasil

Patent Busting project

Premier vs Deus e o Mundo. Na lista de loucuras do sistema de patentes americano, um novo caso: a empresa chamada Premier International Associates obteve patente sobre playlists, ou seja, aquela lista de músicas ou vídeos que você pode editar e que permite para um programa escolher qual a próxima música para tocar, e processou, só para começar: Microsoft, Verizon, AT&T, Sprint, Dell, Lenovo, Toshiba, Viacom, Real, Napster, Samsung, LG, Motorola, Nokia, e Sandisk.

Na maior parte dos casos, as empresas foram acusadas de fazer software que toca músicas. Já Dell, Lenovo, Toshiba, HP, Acer, and Gateway foram acusadas de fazer hardware capaz de rodar Windows XP e Vista que pode rodar o Windows Media Player.

O fato de que playlists são óbvias demais não ajuda tanto quanto deveria, embora uma decisão recente da Suprema Corte americana tenha facilitado o trabalho de invalidar patentes óbvias. Antes dessa decisão, era praticamente impossível, e as penalidades mortais para ume empresa. Existe a possibilidade de que pelo menos algumas das empresas resolva pagar para a Premier para não precisar discutir e correr o risco de ser impedida de operar, sem falar que, como são empresas grandes, ter acesso a essa e outras patentes frívolas ajuda a brigar com empresas pequenas, que não tem como pagar.

NTP vs RIM. E em uma história relacionada, a NTP, que ganhou 600 milhões de dólares da Blackberry por uma patente de push e-mail agora quer tirar dinheiro das operadoras AT&T, Sprint Nextel, T-Mobile, and Verizon Wireless. Mas pode não conseguir, uma vez que a idéia de que o sistema de patentes americano está quebrado já está se disseminando.

Diversas propostas já foram feitas, e uma reforma está tramitando no Congresso americano. Um dos argumentos contra essa lei é que uma lei de patentes menos rigorosa atrapalharia os esforços de empresas americanas de extorquir dinheiro de outros países.

Eolas vs Microsoft. E no final do mês passado, a Microsoft fechou um acordo com a Eolas sobre a patente que a Microsoft teoricamente violou quando fez com que o IE identificasse o tipo de componentes pelo código na página e o executasse imediatamente.

EFF vs Ideaflood. Outra: A EFF está tentando invalidar uma patente sobre domínios virtuais que foi solicitada depois que o apache já tinha suporte e já se discutia nas listas de discussão como fazer.

Clearchannel vs Bom-senso. Uma patente que foi invalidada da Clearchannel dava a ela direito exclusivo sobre a “invenção” de vender CDs de shows ao vivo logo depois do show.

Notem que nas discussões sobre a ALCA com os EUA, uma das coisas que os EUA pedia eram alterações na lei de patentes brasileiras para fazer com que ela ficasse mais parecida com a dos EUA.

Outros casos, no site Patent Busting da EFF

Update:
Veja também:

SCO pede concordata

Logo SCO

Demorou, mas a SCO finalmente pediu concordata. Isso já era esperado há um tempo, desde que a tentativa estúpida de estorquir dinheiro de usuários do linux começou a falhar. Como a SCO perdeu para a Novell na maior parte, e o resultado desse julgamento é decisivo na disputa com a IBM, a SCO vai acabar devendo muito dinheiro de qualquer forma, mas talvez fazer isso agora evite que essas empresas recebam dinheiro.

Há uns anos a SCO ameaçava e alguns até acreditaram que o Linux estava com os dias contados, já que se descobriu que tudo tinha sido copiado. Os dois julgamentos mostraram justamente o contrário, que bastava entrar na briga que o Linux ia provar que ele é legal e que é seguro utilizá-lo em negócios. Mesmo a afirmação recente do Steve Ballmer de que usuários do Linux deveriam dinheiro à Microsoft por causa de violações de propriedade intelectual é considerada apenas piada e FUD. A Microsoft, por mais que fale, não teria coragem de colocar isso à prova e perder. É mais seguro utilizar essa ameaça, mas nunca cumprir.

Veja mais no Groklaw.

E Riverbend virou refugiada


Mapa do Iraque

Riverbend é uma blogueira iraquiana, que tem postado desde antes da invasão e ocupação. Junto com Salam Pax, ela foi minha fonte de informação sobre o que era a Guerra do Iraque de verdade, a expectativa da invasão, os bombardeios, a invasão em si e depois a ocupação.

Ambos escrevem bem em inglês e foram capazes de descrever a angústia, medo e expectativa de antes da invasão, o terror dos bombardeios, e a deterioração da vida deles que se seguiu à queda de Saddam. Riverbend frequentava a universidade, saía, visitava amigos e passava a maior parte do tempo de cabeça descoberta. Com o tempo parou de fazer cada uma dessas coisas. Os posts ficaram cada vez mais raros com a falta de energia elétrica e com a depressão de ver o próprio país ir pelo ralo, e a expectativa de uma vida normal sumir. O segundo blog, sobre culinária, foi abandonado.

Salam tinha deixado de escrever, talvez por dois motivos, primeiro, ele assumiu publicamente a homossexualidade em seu blog, segundo, porque ao publicar um livro e começar alguns trabalhos com redes de televisão estrangeiras, ele deixou de ser anônimo e, com isso, passou a ser um alvo.

E agora, finalmente,
Riverbend deixou Bagdá e o Iraque
com sua família mais próxima, deixando para trás toda uma vida. Depois de alguns meses de planejamento e uma curta viagem de carro, na qual passaram por duas barreiras, eles chegaram à Síria, que é o único país que aceita refugiados iraquianos. Realmente, missão cumprida:Bush - Mission Accomplished

Lula vai decidir sobre DRM na TV digital

Logo culturalivre.org.brO governo brasileiro está prestes a decidir se o padrão brasileiro de TV digital vai incluir algum tipo de DRM. Caso se resolva por fazer essa inclusão, o direito das pessoas hoje de fazer uma gravação pode ser proibido. A possibilidade de fazer adaptações, comentários e sátiras, pode ser bloqueado. A possibilidade de fazer programas e equipamentos que interajam diretamente com o sinal de TV poderia ser permanentemente restrita a empresas autorizadas. Inovações como gravadores digitais não poderiam ser empregadas sem a sanção das empresas de mídia. Ficaríamos reféns dessas empresas, tanto das nacionais quanto das estrangeiras, e haveria um monopólio da fornecedora de tecnologia.

O alerta é dado por Paula Martini do Projeto Cultura Livre e do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV.

O CTS fez um relatório sobre as consequencias dessa regra, que é descrito
em uma matéria da Folha de São Paulo, mas eu não consegui achar o relatório para ler.

Além disso, Renato Golin compara uma regulação desse tipo a uma legislação quântica (em inglês).

Esse é um daqueles assuntos para os quais deveríamos ser consultados ou em que devemos apresentar nossa opinião. É uma situação em que a cultura é refém de grupos que economistas chamam de Rent Seekers: indivíduos, organizações ou firmas que buscam ganhar dinheiro manipulando o ambiente econômico ou legal ao invés de lucrar através de negócios ou a produção de riqueza.

Tradução da Microsoft também prestigia Da Correia Fotorreceptora

O Google Discovery anuncia o lançamento de seu novíssimo tradutor on-line, utilizando tecnologia da Systran, somado a tecnologia própria, com suporte a 26 pares de línguas.

Windows Live - From the Web

Eu não pude me conter e testei a tradução que dá nome a este blog e, de fato a Microsoft também nos prestigia: “from the web” é traduzido como “da correia fotorreceptora“. Outras variações como “web master” também dão resultados interessantes.

Que tipo de processo de desenvolvimento pode permitir que um erro desse tamanho persista por mais de 10 anos? Como é possível que a mesma base de língua portuguesa seja vendida para três grandes empresas diferentes sem essa correção básica, e sem melhora perceptível de qualidade em todo esse tempo?

Eu imaginava a princípio que a Digital tivesse comprado uma base antiga para o venerável Altavista Babelfish e nunca tivesse atualizado. Mas depois, quando o Google lançou suas ferramentas de tradução com os mesmos erros, e agora que a Microsoft fez a mesma coisa, eu acho possível perder toda e qualquer esperança de que o suporte a língua portuguesa seja melhorado nessa linha de produtos.

A única possibilidade é que não exista ninguém dando manutenção. Suporte a língua portuguesa é um item a marcar em uma planilha de recursos, e está tão bom hoje quanto vai ser em qualquer momento no futuro. Ele está tão bom quanto a Systran acha razoável deixar.

Qualquer sistema de tradução que preste para a Língua Portuguesa vai precisar vir de outra fonte.

Outra ilusão visual

Viscog - ilusão de óticaMais uma daquelas ilusões que ensina a alguns cientistas alguma coisa sobre como as pessoas visualizam cenas, e como funciona a nossa atenção. A idéia aqui é a seguinte: abra o endereço http://viscog.beckman.uiuc.edu/grafs/demos/15.html. Ele vai carregar um applet java meio grande, mas quando terminar de carregar, aperte o play e conte o número de vezes que um jogador do time branco passou a bola para outro.

Depois de terminado, veja novamente. Algumas pessoas conseguem perceber algumas coisas a mais na segunda vez. Não é revolucionário, mas eu achei desconcertante.

Update: Corrigi o link, que estava quebrado (obrigado, Avi).

Update 2:  Em uma lista de discussão, alguém mencionou que participou de estudos desse tipo e que a questão é que quando os olhos estão em movimento, todo o resto é ignorado pelo mente, sem que percebamos. Ele conta que havia uma apresentação na qual as pessoas da platéia deviam ficar mexendo os olhos enquanto olhavam para uma tela, e que de repente algumas pessoas começavam a rir sem que as ele soubesse o porquê. Depois ele eventualmente percebia que partes grandes da tela mudavam e outras pessoas, cujos olhos estavam passando por outras partes da tela não viam.

Via Science Blog