Henrique Schützer Del Nero

Prof. Dr. Henrique Schültzer Del Nero (1959-2008)Faleceu ontem, 9 de maio de 2008, o Prof. Dr. Henrique Shützer Del Nero. Um post sobre isso está no blog do fantástico Kogler. Fiquei sabendo por causa de uma pequena nota no final de um post interessante sobre o infinito do Ricardo Bittencourt.

Henrique Del Nero, entre muitas outras coisas, foi o autor do livro “O Sítio da Mente”. Esse livro, esgotado em papel, mas disponível on-line, é um dos livros mais interessantes que eu já li sobre o cérebro, a mente, a consciência e neurociência. Anos depois eu vim a ler alguns livros do aclamado Oliver Sacks, como o famoso “O Homem que Confundiu Sua Mulher com o Chapéu”, e Tempo de Despertar e acabei decepcionado, graças à memória do impacto que “O Sítio da Mente” causou em mim quando li.

Parte das idéias são as mesmas, mas eu já tinha sido convertido. Eu já entendia um pouco sobre o quanto nós temos uma idéia completamente errada do nosso próprio cérebro, vendo de dentro, e o quão importantes e ao mesmo tempo quão triviais são tratamentos para pequenas disfunções. Isso despertou o meu interesse no assunto, que pode ser visto por exemplo neste post sobre Jill Bolte Taylor e seu derrame e neste sobre Sherwin Nuland e a terapia de eletro-choque.  Isso me ensinou a não ter medo de psiquiatras e a não ter preconceito com depressão e especialmente com pessoas passando por fases de depressão. Além disso, esse livro também me ensinou a prestar atenção nas pessoas, e me poupou de um bocado de problemas ao me permitir identificar alguns sociopatas.

Eu sempre tive a idéia de um dia asssistir a algumas das aulas que ele dava no LSI. Agora eu não vou mais ter essa chance.

Uma grande perda, sem dúvida.

Sherwin Nuland conta sua experiência pessoal com eletrochoque

 Sherwin Nuland: My history of electroshock therapy

Sherwin Nuland é um cirurgião e escritor de sucesso. Nessa palestra de 2001, em inglês, ele conta sua experiência de como a terapia de eletrochoque salvou sua vida e permitiu a ele sair de um estado depressivo profundo, pelo qual ele estava internado em um hospital psiquiátrico, assombrado por pensamentos obsessivos e incapaz de funcionar normalmente. Os médicos mais experientes reunidos achavam que a única alternativa para ele seria uma lobotomia, mas um médico residente que o acompanhava pediu para que se tentasse o eletrochoque, e foi essa terapia que permitiu a Nuland controlar a depressão e retomar sua carreira e refazer sua vida.

A terapia eletroconvulsiva tem uma péssima fama, porque ela parece ser um tratamento bárbaro e mais uma tortura que uma terapia de verdade. Essa era a minha opinião, até que um psiquiatra conhecido e muito respeitado, e um grande humanista, pai de um amigo, disse que se a terapia de eletrochoque fosse proibida, ele a aplicaria escondido, porque ela salva vidas.